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Luto - Esquecer ou Lembrar?


E é então que a partir daquele dado momento não irei mais escutar o som daquela risada mais gostosa, as refeições passarão a ser solitárias, para quem vou levar o café da manhã na cama ou fazer o almoço no domingo? Quem irá ouvir com tanta atenção as minhas histórias? Ele(a) se foi... Uma música no rádio faz lembrar, olho as roupas que ficaram e não tive coragem de jogar fora. Uma dor no peito surge ao pensar que quem foi não irá voltar. O que fazer? Esquecer? Lembrar?

Lendo um dos artigos do psicanalista italiano Contardo Calligaris sobre como viver um luto, achei interessante sua argumentação de que esquecer o luto é errado. Ele afirma que: "'fazer o luto' nunca significa esquecer quem e o que perdemos – ao contrário, para 'fazer o luto' e sair minimamente da 'fossa' é necessário se lembrar. (Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/contardocalligaris/2014/12/1557086-como-viver-um-luto.shtml) Boris Fausto, historiador e cientista político brasileiro, passa a viver seu dia-a-dia marcado pela ausência e resolve escrever um diário - o livro O Brilho do Bronze, em uma busca por manter presente a memória de sua esposa. Ele afirma ser melhor dizer falecimento que morte, pois a morte é definitiva e falecimento seria uma saída temporária de cena. A proposta de Boris em seu livro não é ensinar como superar tal perda ou coisa parecida, mas retrata a dificuldade em aceitar que alguém possa ir e não mais voltar. Winnicott (2005) afirma que a privação ou perda pode apresentar consequências devastadoras na infância. A separação prolongada de uma criança pequena de sua mãe (seja por morte ou abandono) pode ser muito mais que uma experiência de tristeza, podendo equivaler a um blackout emocional. É interessante notar que todos nós passamos por lutos, sendo eles por falecimento (utilizando a palavra de Boris) ou por alguém que amamos ter apenas desaparecido das nossas vidas - e não do mundo. Seja na infância, no meio ou no fim da vida, superar um luto não é tarefa fácil. E não há receita de como fazê-lo da melhor maneira. Para alguns o ideal seria esquecer e para outros, como vimos acima, vivenciá-lo seria o mais adequado.

E você, prefere esquecer ou lembrar?


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Postado há 22nd September 2015 por Thais Lopes

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PSICÓLOGA THAIS LOPES // CRP 06/111233

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